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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Guardiões da Galáxia




Queria começar este artigo como uma frase que dissesse “Este filme é fabuloso! Corram a ir vê-lo!”. Já por aqui comentei que a Marvel Studios se está a tornar no maior gigante do entretenimento cinematográfico de qualidade. Portanto, voltem lá à primeira frase deste parágrafo, e sigam o conselho do mestre!
Quando há cerca de um ano surgiu o trailer deste Guardiões da Galáxia, a minha primeira reacção foi “Ooook, lá vem asneira da grossa!” Apesar de ter consumido doses industriais de comics quando era puto, nunca tinha ouvido falar destes tipos. O facto de o trailer estar povoado por criaturas multicoloridas, um guaxinim falante, e uma árvore andante, no meio de uma data de naves espaciais cheirou-me a “uma qualquer parvoíce do género Transformers, mas ainda pior”. Ainda bem que estava errado. É raro tal acontecer, mas – alas! – até THE PSY é falível.
Este filme marca definitivamente a entrada da Marvel no património intergaláctico das suas histórias. Apesar de “as estrelas da companhia” serem o Homem-Aranha, o Capitão América, os X-Men, e por aí fora, a cosmogonia da Marvel é imensa, e a maioria das suas grandes histórias dos tempos áureos está precisamente associada a esse inesgotável património.
O aparecimento da personagem Thanos na cena final de “Vingadores” já fazia antever este passo, mas uma coisa é ter a intenção, outra é concretizá-la com qualidade. E tendo em conta boa parte das “experimentações” com a overdose de ficção-científica medíocre que tem chegado ao cinema, havia todas as razões para temer o pior. Mas quem está à frente do projecto cinematográfico da Marvel é mesmo muito bom, tem o calendário muito bem estabelecido, e os filmes de qualidade sucedem-se uns aos outros.
Comecemos pela realização, que ficou entregue a James Gunn. A quem? Sim, essa também foi uma das minhas perguntas. Alguém já ouviu falar deste gajo? Nem por isso… Bom, agora é certo que não me esqueço do nome. A realização é magistral. O filme é space opera ao bom estilo de Star Wars, filmado claramente para favorecer o 3D (não, descansem, eu não fui ver o filme em 3D!), e descaradamente inspirado em J. J. Abrams. Os planos, as cores, os próprios lens flares que são a trademark de Abrams estão presentes em cada frame. E o resultado final é magnífico. O próprio J. J. Abrams que se ponha em sentido, e se esmere em 2015 com o Episódio VII da saga Star Wars, porque aqui tem concorrência à altura.
Depois temos o protagonista, Chris Pratt. Outra vez: quem? Alguém já ouviu falar deste gajo? Eu só sei que ele existe porque há dois meses vi o “Her” (parem tudo o que estão a fazer e vão vê-lo, porque é outra coisa fantabulástica). Entregar o protagonismo de um filme destes a um tipo semidesconhecido não é um risco demasiado grande? Não. Não, porque – como já referi – a equipa por detrás do projecto cinematográfico da Marvel é muito boa, e sabe muito bem o que está a fazer. Pratt adequa-se na perfeição à personagem, uma espécie de pateta bonacheirão que aparenta andar sempre aos papéis por todo o lado onde passa. É o anti-herói perfeito, muito diferente dos heróicos Capitão América e Thor, ou do cool Homem-de-Ferro.
Entenda-se que este Guardiões da Galáxia é um filme de super-heróis com comédia para adultos. Isto não é uma coisa para crianças. Aqui as personagens são bardajonas, usam piadas impróprias e fazem gestos obscenos. Todo o filme é pontuado por um extraordinário nonsense, que escapará a muitos dos espectadores que levam estes filmes demasiado a sério. Isto é entretenimento, de elevadíssima qualidade, com um argumento bastante sólido. E é divertido, com humor inteligente, sem aquelas “piadinhas fáceis para idiota perceber”. Há um diálogo brilhante em redor de um thesaurus, e referências à pintura de Pollock! Isto não é habitual num filme de super-heróis. Muitos dos diálogos são inesperadamente longos, desafiando tudo o que à edição de um filme diz respeito para quem segue as regras by the book. E isso contribui para aumentar o nonsense brilhante do filme.
Em termos musicais, os créditos ficam nas mãos do já veterano Tyler Bates, essencialmente conhecido pela sua colaboração com Zack Snyder (de onde resultou aquele que é provavelmente o seu melhor trabalho: “300”). No entanto, a banda sonora original passa em grande parte “ao lado”, dado o enfoque no Awesome Mix Volume 1 (há que ver o filme…). Muito semelhante ao que Snyder já tinha feito em “Watchmen”, aqui existe o domínio de músicas de sucesso antigas, que dão uma dinâmica interessante à maioria das cenas. Tenho sérias dúvidas que alguém saia da sala de cinema sem ser a cantar algo próximo de “ooga-chaka, ooga-chaka, ooga-ooga” (link).
Feitas as contas, são duas horas de space opera ao mais alto nível, que demonstram para quem ainda tinha dúvidas que a Marvel percebeu que o seu futuro não estava na 9ª, mas sim na 7ª Arte. A qualidade visual é irrepreensível, o filme é sólido apesar dos muitos clichés, Rocket (o guaxinim) é divertido sem ser excessivo, e há inclusive grandes momentos cinematográficos. É possível fazer uma comédia espacial para adultos!
Ser geek é definitivamente sexy!

Pelo Melhor
Tudo, e tudo, e tudo! Argumento com pés e cabeça, realização de nível, diversão, comédia, nonsense, nostalgia musical, parvoíce em doses galácticas, alguma lamechice que não deixa de ter piada, e humor inteligente num filme de super-heróis. A Marvel voltou a conquistar-me 20 e tal anos depois. No mesmo ano, consegue apresentar um fabuloso “Capitão América – O Soldado do Inverno”, tratando de temas sérios num filme sério, e um magnífico “Guardiões da Galáxia” que é uma espécie de Star Wars meets Monty Python.

Pelo Pior
Pelo quantas?


terça-feira, 3 de junho de 2014

X-MEN: Dias de Um Futuro Esquecido




Como já não ia ver um filme de super-heróis há muito tempo, eis que decidi ir ver “X-MEN: Dias de Um Futuro Esquecido”. Como o título é demasiado grande, doravante vou-me referir ao filme como “X5”. Isto porque é o quinto filme da saga X-MEN. Ou o sétimo, se tivermos em conta os dois Wolverines.
Eu nunca fui particularmente entusiasta dos filmes da saga. Excepto os do Wolverine, que como toda a gente por aqui sabe considero ambos o “best movie ever”. Verdadeiramente, somente o “X-MEN: First Class” (2011) me parece um filme acima da média. Há boas notícias: a minha opinião mantém-se!
Tinha alguma expectativa em relação a este X5. O trailer parecia antever algo muito bom, juntando um elenco de ultra-luxo, onde se reuniam os actores dos “dois universos” dos filmes. Infelizmente, fiquei com a sensação que este foi mais um daqueles casos em que o trailer é melhor do que o próprio filme.
A história não é nada de excitante, contrastando com aquilo que o trailer fazia crer. Eu sou sempre reticente a estas histórias das viagens no tempo, e o Passado que altera o Futuro e funhéfunhéfunhé. Mas isso é uma embirração pessoal. Aqui a premissa é algo mais original. É a mente do Wolverine que é enviada ao passado para tentar mudar o rumo da História por causa de um evento em particular. E esta creio ser a principal desilusão do filme. Não temos verdadeiramente uma interacção entre “os dois elencos”. Temos um cheirinho da malta do Futuro, à espera de ver o que acontece com a malta do Passado. Talvez seja coerente, mas sabe a pouco.
A realização do filme (Bryan Singer) não é particularmente entusiasmante, embora tenha dois pontos que a meu ver se destacam. Dado que boa parte dele é passado nos anos 70, há uma série de sequências a imitar a gravação da altura, onde somos transportados para os meios técnicos desse período, com algum excesso de cor na televisão, e as frames-per-second algo saltitantes. Perdoem não saber os termos técnicos precisos destas coisas… E depois há a extraordinária “cena da cozinha”, que é do melhor que vi em cinema recentemente. Uma sequência com uma personagem (Quicksilver) a mover-se à velocidade da luz dentro de uma cozinha, enquanto tudo está a mover-se em slow motion ao seu redor vai interagindo com os vários elementos de uma forma muito cómica. O filme vale quase só por esta cena.
O desempenho dos actores também não se pode dizer que seja extraordinário, salvo duas excepções. Muitos destes actores eram semidesconhecidos quando apareceram nos filmes da saga, caso de Hugh Jackman e Halle Barry. Os próprios Michael Fassbender e Jennifer Lawrence ainda não tinham o reconhecimento meteórico destes anos mais recentes. Compreendo que para alguns voltar a vestir estes papéis 14 anos depois não é muito apelativo. A grande excepção é mesmo Hugh Jackman, que já deve estar farto de vestir a pele de Wolverine ao fim de sete filmes, mas que mesmo assim demonstra que é um profissional muito sério, e até faz um Wolverine um pouco diferente do habitual, bastante mais maduro, sério e com grande discernimento.
A outra excepção é James McAvoy, que é fabuloso como jovem Professor Xavier. Aliás, McAvoy é um actor excepcional, mas que infelizmente nunca atingiu o estrelato. É pena, pois estou seguro que é dos mais talentosos actores da sua geração. Ainda é novo, pode ser que o tempo lhe faça justiça. Até hoje não o vi uma única vez a ser menos do que brilhante. A carga emocional e a expressão facial que coloca em cada cena são dignas de registo.
Quanto aos restantes, Fassbender está a anos-luz do nível com que participou em “First Class”, os veteranos Ian McKellan e Patrick Stewart pouco tempo de antena têm, e falta um vilão carismático como existiu em “First Class” com o magnífico Kevin Bacon.
É de enaltecer o esforço de integrar a história dos X-Men com a História tal como a conhecemos. No entanto, isso resulta n vezes melhor no “First Class” com a crise dos mísseis em Cuba. Este filme limita-se a um relance à guerra do Vietname, e à conferência de paz que se seguiu, assinada em Paris.
Tudo sabe a pouco. As cenas de acção no Futuro, com os Sentinelas (robots gigantes), estão bem conseguidas, mas têm pouco de original. E já estamos tão fartos de as ver no cinema… A intriga/trama política não tem dimensão q.b., e a própria filosofia dos temas abordados já está bastante batida. Não é verdadeiramente um filme de acção, não é verdadeiramente um filme de drama, nem é verdadeiramente um filme de super-heróis.
Há algumas dedicatórias extraordinárias no filme – daquelas coisas que os realizadores gostam de fazer cada vez com mais frequência – como é o caso de um episódio da série original de Star Trek estar a passar na televisão a dada altura, e o facto de o Quicksilver usar uma t-shirt com a capa do “Dark Side of the Moon”.
Não me vou dar ao trabalho de mencionar alguns erros de pormenor que se detectam no filme, mas vou referir a curiosidade única do local escolhido para aprisionar o Magneto. Portanto, estamos a falar do vilão mais temido do mundo, capaz de controlar tudo o que é metal, e que tem que ser preso num bunker subterrâneo a não-sei-quantos metros de profundidade, cujo único acesso é através de um elevador que dá para um corredor onde estão 20 guardas. E para onde é que dá o elevador? Nem mais: para a cozinha do Pentágono. Simplesmente o sítio onde existem mais facas, garfos, tachos, e objectos de metal…

Pelo Melhor
O filme é competente, surpreende pela reunião do elenco, é diversificado, e tem cenas muito interessantes (como a da cozinha em slow motion).

Pelo Pior
O sentimento de “isto sabe a pouco” com que saímos da sala de cinema. Havia aqui tanto potencial, e no fim é apenas um bom filme de entretenimento, mas que não se destaca por qualquer coisa em particular. Especialmente, revendo “X-Men: First Class” depois deste é fácil perceber que o filme anterior está num patamar muito superior.


segunda-feira, 31 de março de 2014

Capitão América – O Soldado do Inverno




Quando eu era catraio, há coisa de 20 anos, gastava perto de 90% do meu orçamento (leia-se: mesada) em revistas de BD de super-heróis. Sim, riam-se à vontade. Passadas duas décadas, nós, geeks, conquistámos o mundo, e o resto é paisagem. Hoje em dia toda a gente conhece o Senhor dos Anéis, os filmes da Marvel estoiram com recordes de bilheteira, e a ficção-científica está na moda.
Mas voltemos aos meus tempos de gaiato. Os super-heróis preferidos de toda a gente eram o Super-Homem ou o Homem-Aranha. Eu sempre detestei o Super-Homem, e nunca fui excepcionalmente fã do Aranhiço. Toda a bicharada delirava com os gajos superpoderosos que disparavam raios-laser dos olhos, eram mais rápidos que a velocidade da luz, ou que eram mega-robots indestrutíveis. Eu gostava do Capitão América e do Batman. Eram tipos normais (dentro dos limites em que se acha que um gajo que vive numa caverna com morcegos pode ser considerado normal). Um era um “dark knight”, o outro um “white knight”.
Quando em 2011 a Marvel anunciou o lançamento de um filme do Capitão América eu fiquei de pé atrás. Não se trata de uma personagem que possa ter filmes “iguais aos dos outros heróis”. O Capitão América é para pessoas inteligentes, não é um “Hulk Esmaga”, nem um “eu sou um gajo indestrutível que combate contra mutantes cheios de poderes”. Felizmente, a Marvel tem gente muito inteligente e “Capitão América – O Primeiro Vingador” é de longe o meu filme preferido da gama de heróis da Marvel. Conseguiram evocar a nostalgia da personagem carregada de ideais originária na Segunda Guerra Mundial, e fazer um filme extraordinário. É claro que foi um dos filmes menos populares da Marvel, bastante longe dos blockbusters do Homem-de-Ferro e dos X-Men. Tal como eu disse, o Capitão América é para gente inteligente.
Chegados a 2014, eu estava novamente com o pé atrás. Será que conseguiam fazer um filme digno de ser o sucessor do de 2011? Ou iriam entrar na “esquizofrenia intergaláctica” do filme dos Vingadores? Bom, tal como eu disse, a Marvel tem gente muito inteligente.
“O Soldado do Inverno” é o filme perfeito, porque, à semelhança do “Dark Knight” de 2008, não é um filme de super-heróis. É um filme de soldados, espiões, homens e mulheres normais a lutar contra os maus da fita. É um “Missão Impossível” misturado com “James Bond”. Tal torna-se perceptível logo na abertura do filme. Não começa com coisas a explodir, nem com vilões estapafúrdios a fazer juras de “world dominance”. Começa com Steve Rogers a correr na rua, e a conversar normalmente com um ex-soldado como ele. Um Steve Rogers a tentar habituar-se ao mundo contemporâneo (SPOILERS: ele esteve congelado mais de 50 anos). Dez minutos depois é chamado para uma missão de resgate de reféns a bordo de um navio, onde encontra um dos adversários icónicos da banda desenhada: Batroc, um Francês que dá uns valentes pontapés. E logo aqui se percebe a distinção entre os filmes do Capitão e os restantes. É uma sequência de acção, com artes marciais, muito bem feita.
E a partir daqui, o filme começa a ficar cada vez melhor. A história de fundo está muito bem delineada, com uma reflexão cortante sobre a sociedade actual. A coragem e a inteligência necessárias para fazer isto num filme de super-heróis… bravo! Constatar que as pessoas abdicam voluntariamente da sua liberdade em prol de uma segurança virtual, e que estão dispostas a abdicar dos seus direitos nesse processo, é o que diferencia a luta do Capitão América das lutas dos restantes super-heróis. Aqui não estamos a discutir a invasão de naves espaciais vindas dos confins do Universo. Estamos, isso sim, a olhar para o mundo à nossa volta e a pensar “até onde estamos dispostos a permitir que os mais fortes dominem os mais fracos”? A mensagem política está lá. Bem escondida, subtil, mas visível para quem estiver atento. E é por isto que o Capitão América é o maior super-herói de todos os tempos. Porque é o gajo que salta para dentro de um autocarro para proteger os mais vulneráveis, enquanto os outros gajos andam a voar e a destruir metade da cidade ao seu redor.
O argumento não está desprovido de clichés, nem de previsibilidades. Já toda a gente viu 500 filmes de espiões onde “não podes confiar em ninguém”, e onde há traidores dentro das organizações dos bonzinhos, e onde no final do filme há a reviravolta que já não causa surpresa a ninguém. Não obstante, é feito de forma moderadamente convincente.
Um filme destes nunca sobreviveria sem “o toque Michael Bay”, e como tal, a cada 20 minutos há pelo menos 50 coisas a explodir em simultâneo. Mas, ao menos, o equilíbrio entre argumento e acção está conseguido, e até acabamos por apreciar boa parte dos exageros.
Ao nível das interpretações não há muito a dizer. Chris Evans, apesar de não ter o carisma que se impunha ao Capitão, desempenha convincentemente a função. A divina Scarlett Johansson é quem mais salta à vista (vá-se lá saber porquê…), estando como peixe na água no papel da Viúva Negra. Só aqueles olhinhos são metade do filme… Pelo meio temos Samuel L. Jackson a fazer de Samuel L. Jackson no papel de Samuel L. Jackson. Há uns anos gostava muito dele, mas confesso que hoje-em-dia já não tenho grande paciência para o ver sempre a fazer o mesmo papel, o mesmo ar de “badass nigga”, os mesmos tiques, a mesma colocação de voz… Felizmente foram buscar o veteraníssimo Robert Redford, que dá um ar de solidez ao projecto. De resto, há um punhado de meninas bonitas e meninos musculados a preencher o resto do cenário.
A banda sonora não é boa nem é má. É perfeitamente adequada ao filme, e portanto “thumbs up”. É electrónica moderna pura, cheia de percussão, com alguma inspiração nas fanfarras militares. Não é coisa que se ouça fora do filme, mas assenta como uma luva no ritmo do mesmo. Há actualmente uma data de compositores novos a marcar uma tendência musical no cinema. Para experimentarmos algo mais original e inspirador talvez tenhamos de esperar para ver o que John Williams fará em 2015 no novo “Star Wars”.
Resumindo, temos uma obra com muita categoria, “realizada a duas mãos” pelos irmãos Anthony e Joe Russo, o que é surpreendente (e mais uma vez comprova a inteligência dos estúdios da Marvel) tendo em conta o tipo de trabalho que consta no currículo de ambos (essencialmente séries, e projectos de comédia). É uma resposta de peso e qualidade a quem pensava que o Capitão América não era “material cinematográfico”, e que demonstra com tremenda aptidão por que razão faz todo o sentido nos dias de hoje ter uma personagem com os seus ideais.
This isn’t freedom. This is fear.
O geek com duas décadas dentro de mim respira de inspiração e satisfação. O maior super-herói de todos os tempos está vivo, e recomenda-se!

Pelo Melhor
O filme. É difícil fazer bons filmes nos dias que correm para “o mercado”. É preciso escrever coisas muito simples, para gente muito estúpida. Não se pode complicar em demasia. É preferível apostar em maus actores com um palminho de cara, e colocá-los no meio de explosões e catástrofes, do que apostar em temas que exijam exercitar os neurónios. Neste filme, os estúdios da Marvel (que ocupam neste momento, em termos de cinema, um lugar que a LucasArts ocupava há 20 anos) demonstraram como era possível fazer algo de qualidade, que ao mesmo tempo fosse um espectáculo de cinema-acção agradável, olhando de forma crítica para a globalização que impera, e a lei do mais forte que comanda a Humanidade, deixando no ar a forte mensagem de que existem coisas pelas quais temos de pagar um preço elevado, mas que justificam que o paguemos. Nada mau para quem sempre foi olhada como a editora dos bonequinhos que vestem pijamas coloridos.

Pelo Pior
Mas por que C#@R&%LH@ é que o Capitão América usa batom cor-de-rosa!!??!!??? Pelo capacete de Galactus (que por acaso também é cor-de-rosa), nunca hei-de perceber esta estupidez de pintarem os lábios dos actores (ou dos pivots de televisão)! Mas que merda de moda é esta? Que coisa mais estúpida e cretina! Não basta o botox digital, ainda é preciso pôr batom para realçar os lábios das personagens masculinas? “Oh, sim, olhem para mim, o grande herói que vai salvar a Humanidade dos nazis! Oops, esperem, não o posso fazer sem pintar os lábios de cor-de-rosa! Já agora um pouco de rimmel…”
Epá, vão comer cocó fúcsia em 3D!!!!!!!!!!!!! >:|


terça-feira, 13 de agosto de 2013

The Wolverine


Best Movie Ever. Nunca pensei sair de uma sala de cinema depois de ver um filme de super-heróis e dizer para comigo “Zoh-my-God, este filme é fenomenal, um clássico à altura de «O Padrinho», «Blade Runner», ou «2001, Uma Odisseia no Espaço»”. Acreditem, este filme é mítico!
Pronto, agora que já gozei com os cretinos que lêem apenas o primeiro parágrafo, e não levam o texto até ao fim, passemos a coisas sérias. Este filme é um pedaço de caca que nem para adubar urtigas serve.
Durante a minha infância (ou seja, quarta-feira passada) passei largas horas a devorar as revistas de banda desenhada da Marvel, sempre fascinado pelas suas histórias imaginativas e que desafiavam a realidade. Se as contas não me falham, este será já o sexto filme em redor do título “X-Men”. Já em 2009 a Marvel tinha-se dado ao luxo de fazer um filme dedicado em exclusivo à personagem Wolverine, e esse também foi um daqueles Best Movie Ever, que de tão bom que é não tenho dúvidas que marca presença em todas as listas dos piores filmes de todos os tempos. Mas enfim, lá me conseguiram apanhar distraído e inocentemente dei comigo numa sala de cinema a pensar “bom, pior do que o anterior não pode ser…”. Ao menos aí acertei. Não é tão mau como o anterior, mas faz um sério esforço para estar à altura desse título.
Nem sei por onde começar. Esperem, já sei! Não vejam o filme! Acreditem no Psy. Poupem os vossos 5 euritos, e guardem-nos para coisas mais importantes. Por exemplo, para comprar um par de cuecas novas. É sempre bom ter cuecas lavadas em casa.
A premissa do filme até era boa: explorar a ligação de Wolverine ao Japão, à yakuza, e à sua esposa, Mariko. Tudo isto faz parte do mythos de quem cresceu a ler “revistinhas aos quadrinhos”. Só que o problema está no facto de que quem escreveu este Best Movie Ever perceber tanto de cultura Japonesa como eu, que basicamente se resume ao Dragonball, ao Songoku e às sete bolas de cristal. Os energúmenos de Hollywood acham que basta meter uma armadura samurai em cena, umas quantas espadas penduradas na parede, e umas moçoilas bonitas vestidas com kimono, et voilá! Temos algo ao nível de um Kurosawa! Não, lamento. Tudo neste filme é tão reles, que qualquer pessoa que tenha um mínimo de respeito pela tradição Japonesa vomita três vezes antes do filme chegar ao intervalo.
O filme começa precisamente no dia em que é lançada a bomba sobre Nagasaki, com o Wolverine e um soldado nipónico a sobreviverem à explosão. É pena. Se estas duas personagens estivessem entre as vítimas da bomba, o filme terminava ao fim de dois minutos, e assim não seria tão mau. A propósito, sabem que a cidade de Nagasaki foi originalmente fundada pelos Portugueses? Ora, nem mais. Estão a ver como neste blogue, até a falar de um filme que é um pedaço de cocó, aprendem coisas de jeito?
Mas continuando, depois da bomba o filme (infelizmente) continua. Embora eu não saiba muito bem o que se passa, porque o argumento é tão convincente, e tão bem escrito que a única coisa que “faz sentido” (subentenda-se o sarcasmo) é que aparecem ninjas e há uma viagem num comboio de alta velocidade. E ambos estes tópicos são muito importantes para a qualidade do filme. O Ninja das Caldas consegue ser mais convincente do que estes ninjas, e as cenas no TGV são tão boas que este filme merecia um Oscar “de qualquer coisa” só pelo conceito. O pessoalzinho de Hollywood continua a acreditar que no tejadilho de um comboio que vai a 400 km/h é plausível dar pulinhos e brincar aos espadachins. Bom, ao menos este filme tem o mérito de não ser tão ridículo como o “Missão Impossível”, onde para além dos pulinhos e das facas há ainda um helicóptero preso ao comboio por um cabo. Estão a ver? Eu consigo sempre encontrar coisas positivas em todos os filmes. Mas este até tem uma série de coisas positivas! Por exemplo, dura menos de três horas (o The Dark Knight Rises nem isso); tem intervalo, o que também é positivo, pois significa que das duas horas que estamos dentro do cinema há pelo menos cinco minutos em que o filme não está a correr; e além do mais, não entra o Super-Homem. Eu odeio o Super-Homem.
Nem me vou dar ao trabalho de falar da monumental estupidez que é toda a história desta magnífica obra da Sétima Arte, pois um chimpanzé de três meses consegue perceber quão estúpido e inverosímil e sem pés nem cabeça é TODO o argumento. Anda toda a gente muito preocupada com as notícias de haver cada vez menos espectadores a ir ao cinema. Epá, às tantas é porque já chegámos à conclusão que 9 em cada 10 filmes que lançam valem menos que um par de cuecas lavadas. Ou mesmo sujas, como é o caso deste. Aliás, lanço daqui um apelo a todos os internautas: não façam o download ilegal desta coisa. Respeitem a vossa largura de banda! É um crime ocupá-la com isto…
Ao menos como filme de comédia é extremamente eficaz. Consegue fazer-me rir mais do que todos os filmes do Ben Stiller e do Adam Sandler juntos (outros que também Best Movie Ever). É tudo tão ridiculamente mau neste filme, que uma pessoa chora a rir. Cada vez que eu estiver deprimido, basta-me pensar nos yakuza deste filme, e fico logo curado.
Geralmente, até consigo dizer “bom, mas ao menos a banda sonora safa o filme”. Não! Não, não, não, não, não! Foram buscar alguém (Marco Beltrami) igualmente mau para “fazer uns barulhos”. Em suma, se este fosse um filme mudo, sem som, e onde os gajos morressem com a bomba nos dois minutos iniciais, até era capaz de ser uma coisa decente! E ainda há quem tenha ficado surpreendido por eu dizer bem dos “robots gigantes à porrada com dinossauros” (e vão onze! Hehehe! Aposto que chego às 20 antes do fim do ano!).
No meio disto tudo, só tenho pena do Hugh Jackman. Acho-o um bom actor, e um artista fenomenal (viram-no na apresentação dos Oscares há uns anos?), e acaba por ter que ficar conotado a estas coisas. Não tenho dúvidas que nenhum outro actor assentaria no papel de Wolverine melhor do que Jackman, mas é pena que esteja sempre fadado a participar nestas caganeiras. Ao menos as actrizes Japonesas que contracenam com ele não são com o peixe-morto de que falei no “Batalha do Pacífico”.
Terminando, caso ainda haja alguém que esteja a hesitar e a considerar ir ver o filme, lembrem-se que os conselhos do Psy são sempre úteis. Optem pelas cuecas novas.

Pelo Melhor:
Os trailers que passaram antes do filme começar foram giros… Vá, vá, vamos tentar ter uma postura construtiva. Ok, no filme aparece um arco Japonês (torii) que resistiu à explosão da bomba atómica, e há fotografias históricas excepcionais a assinalar esse facto. E o que é que isto tem a ver com o filme? Absolutamente nada, mas ao menos quem teve o mérito de ler este post na íntegra sai daqui a saber uma coisa nova. Vêem como vos trato bem?

Pelo Pior:
LOL, é mesmo preciso escrever mais alguma coisa? Vá, ok, postura construtiva! O filme tem mais de dois minutos. Essa é a parte pior. Tem algumas cenas memoráveis, pela sua qualidade, como uma onde os maus vão atrás dos bons, e entram aos tiros numa casa de jogos, onde estão muitas pessoazinhas a jogar em slot machines… e que assim permanecem, como se nada se passasse.


P.S. Isto é tão mau que até o próprio trailer tem mais de dois minutos… As minhas sinceras desculpas. Gomenasai!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Colecção Heróis Marvel – Jornal Público



É praticamente impossível ter crescido nos anos 80 sem ter consumido doses generosas de “revistas aos quadrinhos” de super-heróis. Vem este assomo de nostalgia a propósito da colecção “Heróis Marvel” que o jornal Público iniciou no dia 5 de Julho, com entregas semanais às quintas-feiras.
No total são 15 volumes que abrangem a maioria das personagens mais famosas da Marvel, misturando algumas histórias clássicas, com outras mais contemporâneas. Exemplo dessas histórias clássicas são as que constam precisamente no número de lançamento: “Homem-Aranha – Integral Frank Miller”.
Frank Miller é mais ou menos o deus dos deuses da banda desenhada de super-heróis. Conhecido pelos trabalhos magistrais em “Batman: The Dark Knight Returns” e “Daredevil: The Man Without Fear”, conquistou o pódio com a sua criação maior, “Sin City”, que à semelhança de outra das suas obras, “300”, foi adaptada ao cinema.
Embora Miller seja idolatrado pelo seu talento enquanto escritor, o que este primeiro volume da colecção reúne são as histórias desenhadas por ele no seu início de carreira, para a revista do Homem-Aranha (1979-81). Este é um livro só para os fãs “de outros tempos”. Aqueles que gostam da “silver age” dos comics, com o traço tosco, cores berrantes, e argumentos muito pouco elaborados. Curiosamente, das seis histórias que o livro traz a mais fraquinha é a única que é escrita por Miller.
É de realçar a qualidade da produção final do livro, em capa dura, com material de muita qualidade, e com uma tradução cuidada e – ALLAH É GRANDE – a não seguir o aborto ortográfico. Ainda existe gente de bem neste país.
A única crítica que posso fazer a esta colecção é o seu preço: € 8,90 por volume. Esta é uma crítica que eu faço há muitos anos à banda desenhada produzida em Portugal. O preço é totalmente descabido. É certo que a qualidade justifica-o, mas num país tão pequeno, com uma amostra de fãs tão reduzida, e onde o dinheiro não abunda propriamente é um disparate apresentar estes preços. Parece que se pretende que a banda desenhada seja apenas para algumas elites, o que é absurdo, e leva, invariavelmente, a que tudo o que é lançado neste campo em Portugal esteja condenado ao fracasso. Não fazia mais sentido publicar os livros em “capa mole” (ou lá qual for o termo técnico adequado) e metê-los a metade do preço? Enfim…
Aos potenciais interessados, a listagem completa da colecção, bem como as histórias que se englobam em cada livro, pode ser consultada em: link.
Espero que os trintões nostálgicos que por aí perduram possam matar saudades com este breve momento nostálgico. Por momento podemos voltar a ser crianças, e a “troika” é composta pelo Homem-Aranha, pelo Demolidor, e pelo Justiceiro.