terça-feira, 4 de março de 2014

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Jodorowsky’s Dune



Sempre fui grande fã de banda desenhada. E sempre fui grande fã de ficção-científica. Além disso, sempre fui uma pessoa de extremo bom gosto, e indiscutível modéstia. No que à BD diz respeito, sempre preferi a “escola Europeia” aos comics Americanos. Gigantes como Goscinny/Uderzo, Hugo Pratt, Moebius, Enki Bilal, e tantos outros, assim o determinaram. Quanto à FC, tenho uma devoção quasi-religiosa por “Dune”, de Frank Herbert. É, indiscutivelmente, a maior obra de ficção-científica de sempre, e uma das grandes criações literárias de todos os tempos.
Chegados aqui, o que tem o cu a ver com as calças? Descobri há dias que está para ser lançado um grande documentário sobre “o maior filme nunca feito de todos os tempos”. Sim, é estranho. Mas para falarmos deste documentário teremos antes de falar de Alejandro Jodorowsky. Este franco-chileno é um dos maiores génios criativos do surrealismo. O nome é conhecido dos fãs da banda desenhada Europeia graças ao magnífico “O Incal”, obra em seis volumes que Jodorowsky lançou nos anos 80 com a arte do mítico Moebius. É seguramente um dos livros mais complexos de sempre na história da BD. Só pode ser descrito como uma aventura psicadélica, surrealista, de ficção científica, capaz de deixar qualquer leitor embevecido com o que tem nas mãos. É distopia cosmológica banhada em tecno-religião sociológica misturada com a psicomagia que o autor tem por filosofia de vida. Não perceberam patavina do que escrevi? Óptimo, esse é o primeiro passo para abraçar Jodorowsky.
Uma das grandes qualidades deste lunático sempre foi a sua capacidade de reconhecer o talento dos grandes artistas muito antes de boa parte do mundo saber sequer que eles existiam. Jodorowsky estabeleceu parcerias com os monstros sagrados da Nona Arte, para produzir coisas tão fabulosas como a saga “Os Metabarões”, que tem o meu tratamento conceptual de ilustração e coloração preferido de todos os tempos, fruto da genialidade do Argentino Juan Giménez.

E é com isto que chegamos ao título deste artigo: “Jodorowsky’s Dune”. Nos anos 70, este controverso artista (acreditem, eu tenho estado a referir-me apenas às partes criativas socialmente aceites) reuniu um grupo que envolvia alguns dos maiores talentos que o mundo tinha naquele momento com o intuito de criar um épico cinematográfico para fazer uma adaptação do monumental Dune. Foi buscar gente como H. R. Giger, o visionário responsável nessa mesma década pelo inesquecível visual de Alien, para tratar do conceito visual do filme. Para a música, ninguém menos do que Pink Floyd. E quais eram os actores que ele tinha para os principais papéis? Salvador Dalí (sim, esse mesmo), Orson Welles (exacto, também esse mesmo), e Mick Jagger (aqui abstenho-me de comentar).

No entanto, apesar de existirem inúmeros storyboards e inclusive produção de alguns dos fatos e adereços a utilizar no filme, o projecto não seguiu em frente por variadas razões. Mas o mito perdurou, como uma das coisas mais influentes na indústria cinematográfica do século XX. Caso tivesse visto a luz do dia, teria sido uma colossal produção de perto de 14 horas, que provavelmente resultaria num misto de “Ben-Hur”, com o ambiente de “Alien” e o espírito de “A Laranja Mecânica”. Paremos um segundo apenas para juntar na mesma frase os nomes Jodorowsky, Dalí, Giger, e Pink Floyd. Sim, seria um caldeirão de insanidade surrealista que seguramente muito pouco teria a ver com o Dune original, e que em simultâneo teria tudo a ver com o conceito psicotrópico da própria spice melange.
Roubando as palavras do próprio Jodorowsky: Could be fantastic, no?


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

“A Paisagem Nórdica do Museu do Prado”



Rubens, Brueghel e Lorrain são os “cabeças de cartaz” da exposição que o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) organizou, fruto de uma parceria com o Museu do Prado. 57 pinturas foram trazidas de Madrid para Lisboa, para dar um cheirinho da colecção que o Prado tem de pintura flamenga e holandesa do século XVII. É a primeira vez que Portugal recebe uma colecção de obras do Prado, e quem gosta da escola flamenga já foi certamente a correr deleitar os olhos com as obras expostas.
As paisagens retratadas nas obras são o tema central da exposição, contrastando os ricos bosques de cores naturais com a vivacidade das cores do vestuário das pessoas e animais que por eles passeiam. Sem margem para dúvidas, Rubens é o principal atractivo, figurando na galeria dos pintores mais importantes de todos os tempos. Mas foi Brueghel, O Velho, quem mais me despertou a atenção na visita, pois não o conhecia e fiquei surpreendido pela positiva com boa parte do que vi. É deveras interessante verificar que o quadro que tem servido como “cartaz” da exposição resulta de uma colaboração entre Rubens e Brueghel: A Visão de Santo Huberto.
 PETER PAUL RUBENS e JAN BRUEGHEL, O VELHO
Visão de Santo Huberto
c. 1617-1620
Óleo sobre madeira - 63 x 100 cm
© Madrid, Museu Nacional do Prado
Cenas bucólicas, festas e bodas campestres, paisagens de Inverno, e a sempre presente mitologia Grega, compõem os temas representados nos quadros, onde geralmente a paisagem é retratada numa escala imensa por comparação com as personagens que nela deambulam.
A exposição está bastante interessante, embora me pareça que seja essencialmente indicada para apreciadores deste tipo de pintura. Convém não esquecer que temos no Museu Gulbenkian quadros de Rubens que em nada ficam atrás destes.
Sinto que o MNAA anda com uma dinâmica muito viva nos últimos tempos, o que me apraz, pois já o visitei pelo menos quatro vezes, e não me importo nada de “ter uma nova razão para lá ir outra vez”. “A Paisagem Nórdica do Museu do Prado” é sem dúvida um sucesso, pois o número de visitantes não mente (no dia em que fui estava a abarrotar de gente), e a inteligente campanha publicitária teve seguramente um papel fundamental ao puxar tanta gente. No entanto, fiquei estupefacto ao ler há uns meses que este “acordo de parceria” entre o MNAA e o Prado, que resulta numa troca temporária de obras, vai levar “As Tentações de Santo Antão” para Madrid. Vamos lá a ver se nos entendemos: eu gosto muito de pintura, e gosto muito de Rubens, mas tudo aquilo que (pelo menos até este momento) veio do Prado para cá são “coisas menos importantes” quando comparadas com a nossa “jóia da coroa”. “As Tentações de Santo Antão”, de Bosch, são uma coisa única em toda a História, e merecem estar entre as 50 ou 100 obras fundamentais e irrepetíveis criadas pelo Homem. Paisagens bucólicas, campestres, coisas bonitas do século XVII, e Virgens com o Menino há a pontapés, e para todos os gostos. Nunca percebo estas “parcerias entre Portugal e Espanha”, onde os espanhóis nos mandam uns rebuçados para estarmos entretidos, e os voluntariosos Portugueses vão a correr enviar o bolo de noiva. “As Tentações de Santo Antão” (link) são daquelas coisas que não deviam sair do MNAA por nada deste mundo (excepto se os Italianos enviassem para cá as estátuas de Bernini como moeda de troca – aí, sim, seria admissível). Gosto muito dos protocolos de intercâmbio entre os grandes museus, mas amiguinhos… há limites!
Dito isto, quem estiver interessado é visitar a exposição até dia 30 de Março, e se não gostarem das pinturas, ao menos deleitem-se com os comentários dos “intelectuais” que fazem questão de comentar de forma muy erudita o que estão a ver nos museus. Têm dúvidas? Deixo alguns exemplos…
«Rubens? Com “S”? Não devia ser Ru-BEN? Porquê o “S” no fim?» - aparentemente os curadores dos museus são particularmente criativos e gostam de alterar o nome dos artistas.
«Hummm, estas cores… não sei. Acho que não estão… não sei. Mas… não, este não me convence.» - que chatice, mas quem é que se lembrou de colocar num museu uma obra apreciada por milhares de pessoas há mais de 400 anos sem pedir a douta opinião da Sôdona Etelvina, que não sabe porquê, mas acha que não!
«1443? Então mas se dizem que isto é do século XVII… 1443 é século XV.» - tem toda a razão minha senhora… mas 1443 é o número de inventário do quadro.
«Pois, que conveniente! Pintam as mulheres todas nuas, mas depois metem um trapinho colorido só a tapar a parte que interessa. Enfim… sem comentários!» - calma, jovem, não esquecer que este quadrinho não foi pintado pelo Miró na semana passada… cheira-me que as cortes nos séculos XVI e XVII eram capazes de ficar um pouco melindradas se vissem um quadro de 1m x 1m escarrapachado na parede com uma data de mulheres a mostrar a… “paisagem”!
Em suma, se não apreciarem a pintura, ao menos apreciam os comentários destes génios da cultura que um dia destes estarão a desempenhar a função de comentadores especialistas num qualquer canal de televisão.
Dito isto, aos interessados, é aproveitar até 30 de Março: http://www.pradoemlisboa.pt/pt


Bónus
Ora bem, como a parte deste artigo de que vocês mais gostaram foi certamente a das “pérolas dos comentadores”, aqui fica mais uma para vosso deleite.
Junto à Custódia de Belém, uma das obras de arte essenciais do nosso património, estão duas simpáticas velhotas.
«Aquelas 12 figuras na parte de cima, ouvi dizer, são os 12 apóstolos. Mas, também já me disseram que não são…»
«Pois, eu ouvi dizer que 11 deles eram os apóstolos, mas que depois havia um que não era…»
Tem toda a razão, Dona Laura! Venha daí uma Tese de Doutoramento. Até já estou a imaginar a dissertação: Gil Vicente, ao qual se atribui a criação da Custódia de Belém, não gostava de um apóstolo em particular, e portanto pensou: olha, como não gosto daquele gajo, vou colocar aqui os outros 11, e depois para preencher o espaço em branco… meto o Zé da Coelha, que é meu compadre!

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Claudio Abbado


Ontem faleceu o maestro Claudio Abbado, um dos grandes directores musicais do século XX (e XXI). Não sou profundo conhecedor do seu trabalho, mas bastará dizer que foi quem sucedeu a Herbert von Karajan enquanto director da Filarmónica de Berlim.

Numa altura em que o mundo cada vez tem menos cultura a sério, fica aqui uma breve menção e homenagem a um dos homens grandes da promoção da música clássica.

Mozart / “Requiem” – Lacrimosa
Beethoven / “9ª Sinfonia”

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O Pintor de Batalhas, de Arturo Pérez-Reverte

“Mas tens um problema, Faulques. Um problema sério. Nenhuma fotografia pode consegui-lo. Eu sou mais prática e limito-me a coleccionar elos quebrados: essas ruínas com antecedentes clássicos, achados dos imbecis literatos românticos e revisitadas por artistas ainda mais imbecis. Mas não é o aroma do passado o que procuro. Não desejo aprender, nem recordar, mas largar amarras. Dito na tua gíria psicopata, esses lugares desertos, mecanismos e objectos quebrados são as fórmulas matemáticas que indicam o caminho.”

Eis-me de volta ao maldito espanhol. Desta feita para falar d’O Pintor de Batalhas, do qual já transcrevi um excerto por estas paragens. Antes de se falar deste livro há que referir que Pérez-Reverte foi durante muitos anos repórter de guerra. Ora, a personagem central do livro é um repórter de guerra (fotógrafo) na reforma. É, portanto, impossível dissociar a ficção da própria experiência pessoal do autor.
A história centra-se na personagem de Faulques, um fotógrafo na reforma que habita num farol na Costa Espanhola, e passa os tempos a pintar um mural, que representa uma batalha medieval, no interior do farol. A pacatez e solidão de Faulques são interrompidas pela chegada de Ivo Markovic, uma espécie de “fantasma do passado” que vai levar “o pintor de batalhas” a um exercício de memória, recordando boa parte da sua vida, das suas fotografias, e dos cenários de guerra por onde passou. E é nesse “recordar é viver” que surge a fortíssima personagem de Olvido Ferrara, colega fotógrafa com quem Faulques viveu uma intensa paixão. E este é o ponto alto do livro, pois a relação entre as duas personagens é quase mágica. Daquelas relações que só podem existir na literatura ou no cinema, entre duas personagens tão magnéticas que é difícil não as ver com o espelho uma da outra. Não sei até que ponto é que esta relação é mera ficção, e não fruto de algo vivido pelo próprio escritor há muitos anos, pois a força que caracteriza as personagens é impressionante. É um escritor magnífico, sem dúvida, mas custa-me a crer que escreva sobre uma paixão com tanta vivacidade sem se ter vivido (e morrido) algo semelhante.
Depois disso, Pérez-Reverte faz aquilo que faz melhor: avassala o leitor com pormenores ricos do tema que aborda no livro em questão. Neste caso é a fotografia e a pintura. São longos os parágrafos a descrever a forma como o pintor prepara as tintas, os materiais que usa, os pintores em quem se inspirou. Igualmente longos são os parágrafos a descrever a máquina com que tirou “aquela fotografia”, e toda a parafernália técnica que envolve um simples disparo.
Algo que salta à vista é a profunda revolta da personagem (do autor) com a idade. Alguém que está na meia-idade e já não gosta de si, do seu corpo, do seu quotidiano, e recorda com tremenda nostalgia os tempos da juventude. Este é um livro, também, sobre o não gostar de envelhecer, embrulhado em fortes doses de uma filosofia melancólica que emerge dos diálogos que Faulques e Markovic mantêm durante o seu encontro.
E não há muito mais a dizer sobre o livro. É um livro pequeno, e não é dos melhores de Pérez-Reverte. Não deixa de ser uma boa leitura, mas está bastante longe de uma Tábua de Flandres ou de um Cemitério dos Barcos Sem Nome. Mas, como sempre, o maldito espanhol não falha ao servir-nos uma galeria de personagens cativantes, cheias de vida e experiências que merecem ser partilhadas.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

2013: O Balanço

Os posts de Balanço Anual aqui no blogue costumam ser dos mais populares. Tendo em conta esse património, acresce o peso que tenho sobre os ombros de escrever algo com pés e cabeça. Quanto ao ano em si, foi igual a todos os outros, com coisas boas e coisas más. Mas, acima de tudo, foi o ano da Gata Telma!
Vou observando esporadicamente alguns indicadores estatísticos relativos ao blogue. Quais os dias onde geralmente há mais visitas (segundas-feiras), qual o número médio de visualizações de cada artigo, quais os artigos mais vistos no mês que passou, etc. E a Gata Telma rebentou com a escala. Para termos uma ideia, um artigo normal, por exemplo uma crítica de cinema, atrai cerca de 16 a 18 visualizações nas primeiras 48 horas. A Gata Telma, no mesmo espaço de tempo, atraiu mais de 60. Está cientificamente comprovado: gatos e internet são uma combinação de sucesso.
Mas comecemos então pelos “mais” e “menos” do blogue. Pois bem, dos artigos aqui colocados no ano de 2013, os mais populares foram:
1º A Gata Telma e os Telminhos (2)
2º Django Libertado
3º Batalha do Pacífico
4º Da Corrupção à Crise – Que Fazer?
É uma distribuição interessante e atípica. O cinema continua a ser o tema que mais visitantes atrai, mas ter um livro a disputar os primeiros lugares é algo interessante.
Quanto aos artigos menos populares, foram eles “História da Segunda Guerra Mundial”, “Emperor – The Gates of Rome” e “200: Anno Wagner”. E devo dizer que isto me deixa com uma profunda depressão, pois foram precisamente os três artigos que mais trabalho me deram a compor, pois inclusive dei-me ao trabalho de fazer uma pesquisa mais abrangente em termos de História para acrescentar algo mais a cada um dos temas. É inglório constatar que aquelas peças que mais empenho tiveram da minha parte, foram as que menos interesse despoletaram na audiência. No caso do artigo sobre os 200 anos de Wagner, apenas 4 pessoas tiveram interesse em abri-lo. Fico triste, mas - alas! – c’est la vie!
Em relação às restantes estatísticas, houve alguns dados curiosos. Durante uns largos meses eu entendi não escrever sobre os livros que lia, pois o interesse que esses artigos recebiam era manifestamente diminuto. No entanto, a meio do ano reparei numa coisa curiosa. Os artigos mais antigos sobre livros tinham um crescimento sustentado e constante. Ou seja, um artigo sobre um filme, ou um qualquer outro tema, atrai muita gente durante uma semana ou duas, mas depois disso cai no esquecimento, enquanto uma crítica a um livro tem muito poucas visualizações no momento, mas continuamente vai crescendo, e crescendo, e crescendo. Notei isto graças a “O Segredo de Afonso III, de Maria Antonieta Costa”, sobre o qual escrevi em Janeiro de 2012, e que neste momento, no histórico do blogue, ocupa a 5ª posição dos artigos mais lidos desde que iniciei o blogue. Se olhar para a lista dos 10 artigos mais populares, cinco deles são ocupados por livros. Isto é excelente! Foi essa constatação que me levou a voltar a escrever sobre livros. Juntar o útil ao agradável é como juntar gatos e internet…
Resta referir que, a título de curiosidade, em Agosto houve um inesperado afluxo de 16 visitas vindas do Brasil direitinhas ao artigo do “Cloud Atlas”, que na altura até nem tinha tido grande êxito, e que com esta avalancha entrou na lista do Top 10.

Feita esta introdução, vamos então às distinções mais importantes da blogosfera e arredores. Preparem os Oscars, preparem os Nobel, preparem as medalhas Olímpicas, eis os Prémios Psy 2013:

2013: Uma Música
É pena que 2013 fique para a História como o ano da badalhoca nua a lamber martelos, porque de facto foi um ano com muita coisa boa a passar-se em termos musicais. Confesso que poderia escolher metade das canções do álbum de lançamento dos Imagine Dragons, sendo que tenho um fraquinho especial pelo “Demons” (link). Apesar de não ter gostado do novo álbum dos Arcade Fire, o single de lançamento, “Reflektor” (link), também fica entre os melhores do ano. No entanto, fãs do Prodigioso Psy, tenho a dizer-vos que este ano o galardão fica em casa. E até podia ficar em casa duas vezes, porque a música Portuguesa continua a dar cartas. Não apenas cartas, mas ases de trunfo. Poderia ter ficado a versão da “Canção de Engate” (link) feita pelo Tiago Bettencourt em acústico, mas por mais 0,0000001 na pontuação, este ano o troféu vai para o deslumbrante “Desfado” da Ana Moura.

 2013: Um Filme
Sem hesitações: The Wolverine! Best Movie Ever!!!
Hmmm, não engano ninguém segunda vez, pois não? Hehehe!
2013 teve muitos bons filmes. Desde “Django Libertado”, passando pelo emocionante “A Gaiola Dourada”, ou o próprio “O Hobbit: A Desolação de Smaug”. Mas, como o prémio só pode calhar a um, este ano fica nas mãos de um mexicano de nome Alfonso Cuáron, responsável pelo fenomenal “Gravidade”. Apesar de todas as fragilidades que tem em termos de argumento é uma coisa única em termos cinematográficos, de uma perfeição aterradora, e com a capacidade de surpreender num mercado de cinema que já pouca originalidade consegue trazer.

2013: Um Livro
Pois é, lá passou mais um ano onde li menos de metade do que gostaria de ter lido. Mesmo assim, da cerca de uma dúzia de livros que consegui folhear, inclino-me para escolher o “Emperor – The Gates of Rome”. Nem mais, o de há bocado. Aquele sobre o qual ninguém leu. Esse mesmo. E sabem que mais? Agora, por vingança do Chinês, também não falo mai nada sobre o livro. Tenho dito!

2013: Um Comentário Político


2013: O Momento Mr. Bean do Ano
THE PSY é uma pessoa importante, e como tal de vez em quando tem reuniões importantes, com gente superimportante, e tal. Em Janeiro, THE PSY mete-se no Psymobile (que, aproveito para informar, completou 100 000 km mesmo no final do ano – sai uma taça de champanhe para todas as pessoas cool que já partilharam uma viagem no Psymobile), e segue direito a Olisipo, capital do Muy Nobre e Sempre Leal Império Psy. Mas, pormenor engraçado, o Prodigioso detesta conduzir em Lisboa, em particular na zona da Av. da Liberdade. EM PARTICULAR no dia em que se lembram de alterar todos os sentidos das vias por causa das alterações na rotunda do Marquês (meu primo)! Escusado será dizer que depois de ter dado 473 voltas a ruas que nem devem constar no mapa, o tic tac do relógio começa a stressar o Prodigioso. Encontrado um lugar para estacionar, vou a correr ao parquímetro, e saio disparado rua acima em direcção ao local da reunião. A mais de meio da rua, olho casualmente para a mão e dou por mim a pensar “Hum? Por que raio venho com um papelinho na mão? Ah, espera! É o talão do estacionamento! Hã? Mas por que é que o tenho na mão? E agora que penso nisso… ONDE ESTÁ A MINHA CARTEIRA?!?!?!”
Conclusão: o Prodigioso Psy atirou a carteira para cima do tabelier, fechou a porta do carro, e desatou a correr rua acima com um papel de estacionamento na mão…
Senilidade precoce? Não, não, nada disso, estava tudo planeado…

2013: Um Momento
Ora bem, meus infantes, é chegado O Momento. Até aqui é apenas aquecimento e entretenimento. Na realidade, o que o pessoal quer é chegar à rubrica mais importante de todas. Aquela que nos brinca com a nostalgia, e faz recordar todos os bons momentos do ano que passou. Desta vez, por motivos de ordem técnica, THE PSY não levanta a sua taça de champanhe, mas sim uma de limoncello, a todos aqueles que: me fizeram crumble de maçã (pelo menos um deles, já que o outro era com o objectivo de me partir os dentes); me apelidaram de “Prodigioso” e “Senhor dos Cascos”; me ofereceram o “Twilight” (versão B.C.); derreteram numa churrascada de Verão com 40º C e má sangria (culpa do puto surfista que também me estraga a comida); correram o Algarve de uma ponta à outra para que eu pudesse saciar a fome de choco grelhado (adoro-vos com cada um dos meus tentáculos); me arrastaram para ver os The Gift ao vivo, no meio de vacas, bezerros e algodão doce; perderam os jogos todos contra mim no Arkham, no Zombicide, no Race for the Galaxy, e em tudo o resto, porque eu sou um gajo buéda cheio de power e ganho os jogos todos (mesmo aqueles que são cooperativos); me levaram a ver coisas bonitas no MNAA, e depois no Miradouro do Arco da Rua Augusta, e que ao descer as escadas riram que nem galinhas histéricas com a senhora do “ATENÇÃO! Eu vou a passar!”; e que dias depois repetiram a dose, mas desta vez ficámos como galinhas histéricas à conta do careca que espetou a tromba na porta transparente do restaurante, soltando um genuíno e poético “foda-se” (aposto que a marca ainda hoje lá está na porta); trocaram comigo mails e artigos para debater as Alterações Climáticas e o fracking (não, não estou a falar de Battlestar Galactica); conseguiram pôr-me a falar sobre BD de qualidade aqui no blogue (olha que o teu irmão correu Roma inteira à procura de uma prenda para ti! Trata-o bem!); me levaram a ver um espectáculo fenomenalístico com águias, corujas, e outros bichos assassinos com bicos e garras, e até me deixaram fotografar ao lado de uma gaja toda boa, cheia de pêlo e penas; sufocaram de tanto rir com o jogo “A Odisseia de Pedro” (a propósito, sabem que o orientador de estágio dele foi o Relvas? – ahahaha, eu disse que o punha no blogue!).
E para não dizerem que saem daqui de mãos a abanar, guardei uma prenda para este Balanço. Tomem lá uma foto dos Telminhos junto ao Psymobile. Quem é amigo? Quem é?

E, como o melhor guarda-se para o fim, ergo uma taça de limoncello, uma de vodka, uma de champanhe, três de Guinness, e outras tantas do que vos apetecer, aos meliantes que quase por acaso me levaram a passar o fim-de-ano à minha Cidade Eterna. Roma é, e será sempre, o meu coração. É a cidade a que anseio regressar mal acabo de a deixar. É o único sítio do mundo que já visitei onde sinto as lágrimas a cair pelo rosto enquanto caminho pelas ruas. Onde sinto o peito apertado ao contemplar cada estátua, cada coluna. Não quero trair a minha Lisboa, mas por cá não me acontece a voz falhar enquanto estou a falar de um quadro a outra pessoa, ou a contar o (muito pouco) que sei da História da cidade. Há uma magia qualquer que me seduz naquelas pedras, uma serenidade imortal e intemporal que me embarga a voz e humedece os olhos. Roma será sempre o meu destino, a minha chama e a minha alma. Voltei lá passados sete anos (um por cada uma das suas colinas). Daqui a outros sete quero lá voltar.
Estátua de S. Pedro, Basílica de San Giovanni in Laterano, 1711
(Foto do Prodigioso Psy)

Está feito, e está dito! Tratem de garantir que têm um excelente 2014, e que arranjam uma série de Momentos para recordarmos daqui por um ano. Despeço-me com amizade, e dizendo… MONKEY BALLS!