Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Oblivion



Are you an effective team?
Pois, é preciso ver o filme para reconhecer a frase. Então e o que me leva a falar de “Oblivion” quase um mês depois de o ter visto? Basicamente a preguiça que me deu nas semanas anteriores para o fazer mais cedo.
Oblivion é um filme de ficção-científica protagonizado por Tom Cruise. E este foi talvez um dos motivos que me levou a ir ao cinema. Eu não sou particularmente fã do Tom Cruise. Mas já repararam que ele não costuma entrar em barretadas cinematográficas? É dos actores mais inteligentes a escolher os papéis que assume. Pena é que tenha criado o “estilo Tom Cruise” e nunca saia do mesmo papel. Pena, acima de tudo, porque ele é de facto um grande actor, como comprovou há muitos anos com o genial Lestat em “Entrevista Com o Vampiro”. Mas prefere refugiar-se no seu estilo próprio e não arriscar. E é por isso que este Jack Harper é na realidade o Ethan Hunt de “Missão Impossível”, que por sua vez também é o tipo que entra no “Relatório Minoritário” ou na “Guerra dos Mundos” (oops, e eu a dizer que o Cruise nunca entrava em barretadas…).
Mas adiante. O filme é realizado por Joseph Kosinski, um novato por estas andanças, e que só conta com “Tron Legacy” no currículo (e convenhamos que isso não é grande currículo). Mas este Oblivion é de se lhe tirar o chapéu. É um filme com uma identidade muito própria. Especialmente em termos de fotografia (num trabalho deslumbrante do chileno Claudio Miranda – que curiosamente ganhou o Oscar por “Life of Pi” na última cerimónia – cujas paisagens pós-apocalípticas são inspiradoras, e cheias de elementos quase poéticos do ponto de vista visual. As comparações com “Prometheus” são quase inevitáveis, embora o estilo mais zen deste filme me tenha agradado mais.
A história é ficção-científica pura, genuína, e com alguns twists engraçados, e com muitas referências de homenagem a “2001: Uma Odisseia no Espaço”. Parte de uma premissa simples: a Terra foi praticamente destruída no futuro, e há uma equipa composta pelo protagonista e pela sua esposa que estão a ajudar umas máquinas gigantescas a filtrar a água dos oceanos para a levar para as colónias além-espaço, onde os sobreviventes humanos se refugiaram. Existe uma química espantosa entre Cruise e Andrea Riseborough, que dá um toque de classe notável ao filme. Até ao momento em que entra em cena Olga Kurylenko, que é basicamente uma menina bonita e podre de boa, mas que a meu ver serve mesmo só para “fazer de Bondgirl”.
Pelo meio também entram em acção os “scavengers”, os maus da fita, e que são o piorzinho do filme, particularmente em termos visuais, entrando em de-sintonia com tudo o resto no filme. Até compreendo, tendo em conta que o ponto de partida do filme foi uma graphic novel idealizada pelo realizador, mas acaba por parecer algo demasiado à margem de tudo o resto…
E é aqui que entra o restante elenco, que também não é de ir por aí além. Morgan Freeman limita-se a fazer de Morgan Freeman, e o “Jaime Lannister de Game of Thrones” limita-se a fazer de… “Jaime Lannister de Game of Thrones”.
Guardei o principal para o fim: a banda sonora. Electrónica do melhor que há, feita pelo duo francês M83. A conjugação de alguns momentos visuais, com a música… *suspiro*. Deixo só um cheirinho do onírico “StarWaves”:

A ficção-científica assim até tem outro sabor! E quem tiver inteligência suficiente, compreende que a história é uma viagem exploratória ao íntimo do ser humano.

Pelo Melhor:
A realização conjugada com a fotografia, resultando num casamento muito bonito. Momentos como o do drone a passar pela cortina transparente em slow motion… Mamma mia!
A casa! Eu quero viver numa casa daquelas!!!

Pelo Pior:
Uma direcção de actores nada convincente. Nem sempre os nomes sonantes são significado de bons resultados. Actores conhecidos a fazer papéis mais do que batidos… meh!


Quinta-feira, 7 de Março de 2013

A Odisseia de Bruno Nogueira e Gonçalo Waddington

"Nunca te esqueças de mim..."


“Odisseia”, assim se chama o novo programa que a RTP apresenta com Bruno Nogueira e Gonçalo Waddington como “cabeças de cartaz”. Inicialmente nem lhe prestei qualquer atenção – confesso que os “programas de humor” da televisão Portuguesa são na maior parte das vezes uma ode à estupidez sem talento – mas depois de uma amiga mo ter sugerido decidi dar uma espreitadela. Em boa hora o fiz. O programa é um trabalho magnífico que mistura dramatismo, comédia, e o absurdo total e inexplicável, aliado a muito talento.
A história de “Odisseia” desenrola-se em redor da viagem de dois amigos “por esse Portugal profundo”. Ou nem tanto, dado que até agora ainda não saíram do Alentejo. A viagem é despoletada por uma tentativa de suicídio de Bruno. Daí para a frente é acompanhar, episódio a episódio, um sem-fim de acontecimentos que nos brincam com as emoções. Pois “Odisseia” não é só comédia. É também dramatismo, misturado subtilmente com doses generosas de cultura. E falo de cultura séria e inteligente, e não de porcaria pop mastiga-deita-fora.
Comecei a ver a série no 6º episódio, onde os amigos descobrem, algures perdidos no Alentejo, um grupo de “totós espirituais” que têm como guru António Variações. A forma perfeitamente inteligente como satirizam as seitas, e os seus gurus é de ir às lágrimas. Imaginem António Variações a citar as letras das suas canções, com ar sério, pois está a partilhar uma mensagem espiritual, enquanto despeja um frasco de laca no cabelo dos discípulos. É de ir às lágrimas!
Não tardei muito a ir a correr à página da RTP para ver todos os outros episódios. Curiosamente, o primeiro episódio, que costuma ser o piloto, e aquele revestido de maior importância pois é o que tem a responsabilidade de agarrar o público, é o pior de todos. Quem não faz ideia ao que vai, vê aquilo e não fica com muita vontade de continuar a acompanhar a série. É importante para “entrar na cabeça das personagens”, mas parece-me um sério risco para o lançamento de uma série que tem na comédia o seu ponto central. Mas rapidamente a coisa muda de figura, e a história começa a entranhar-se. As peripécias são divinas. E aqui há que destacar o papel de Nuno Lopes. O tipo é brilhante. Bruno Nogueira e Gonçalo Waddington fazem uma dupla muito boa, mas a partir do momento em que Nuno Lopes entra em cena… esqueçam tudo o resto! É um actor fabuloso. No 7º episódio, quando decide entrar na personagem de um gorila… é de chorar por mais.
A série vive muito do “nonsense” ao estilo Monty Python, embora por vezes haja partes demasiado más. Talvez um dos atractivos seja mesmo esse, a alternância entre o absolutamente mau e o extraordinariamente genial. Mas convém salientar que não é só dos “três estarolas” que a série vive. Há muito mais. Como a participação fabulosa de Miguel Borges no papel de Oráculo (para quem não reconhece o nome, é o tipo rouco dos anúncios da Vodafone), ou as participações especiais de muitos outros actores em alguns episódios.
Inclusive a nível técnico esta Odisseia é surpreendentemente boa, desde a soberba realização de Tiago Guedes, à fotografia, produção, etc. É muito bom ver tanto talento reunido para criar algo de tanta qualidade em Portugal. Até as cenas em “stop motion” são fenomenalmente conseguidas, como a própria Sequência de Introdução de cada episódio, e onde – para os mais atentos – toda a série é mostrada.
A única coisa que merece nota absolutamente negativa é a total inabilidade da RTP em promover a própria série. Tem passado quase despercebida. Das duas, uma: ou o “departamento de marketing” está a dormir, ou então quem decide no interior da RTP nem tem capacidade para perceber a qualidade do produto que tem entre mãos. São tão eficazes a promover os concursozinhos e os programinhas de variedades constrangedores, e depois não sabem dar visibilidade à galinha dos ovos de ouro. Mas enfim, fica essa falha colmatada por este artigo, dado que este blogue é visto diariamente por 7 milhões de pessoas em todo o mundo.
Criatividade, boa capacidade de escrita, excelentes profissionais, o talento de saber aproveitar uma ideia sem necessariamente ter de recorrer a elevados recursos e meios de produção e afins. É isto que se anda a fazer em Portugal, onde infelizmente se prefere dar destaque aos reality shows de/para gente acéfala, e aos infindáveis programas sobre futebol com “comentadores altamente especializados que têm muita coisa irrelevante para dizer”. Há muitos anos que uma série “made in Portugal” não me agarrava desta forma, deixando-me salivante para que chegue Sábado às 21h00.
Obrigado Bruno. Obrigado Gonçalo. Obrigado Tiago. E que venha rapidamente a “Odisseia 2”.
Os episódios podem ser vistos em: http://www.rtp.pt/play/p1039/odisseia


Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013

Os sem-abrigo não aguentam


Ontem à noite, na SIC Notícias, Maria de Belém respondeu ao “se os sem-abrigo aguentam, porque é que nós não aguentamos” de Fernando Ulrich. Fê-lo com dois gráficos. No primeiro mostrava como as pessoas em situação normal morrem de idade avançada, mostrando as estatísticas (óbvias) que comprovam que a mortalidade aumenta nos patamares mais elevados da idade. De seguida mostrou um gráfico com a mortalidade dos sem-abrigo, onde é de imediato visível que poucos chegam à dita idade avançada, morrendo todos eles bastante novos.
Sem demagogia, sem populismo, sem soundbytes. Devia haver mais política assim. Serena, baseada em factos e comprovada com números sérios, em vez dos palhaços histriónicos que debitam frases feitas, no meio de grande peixeirada, mas que fazem manchetes nos nossos jornais.

Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2013

Oscars Psy 2013




Estamos em mês de Oscars e THE PSY decidiu antecipar-se à Academia e fazer a sua própria cerimónia. Como é óbvio, não me vou propriamente pronunciar sobre os nomeados da Academia. Por um lado não vi praticamente nenhum deles, e por outro, a bem da justiça, apenas me posso pronunciar sobre os filmes que vi, que até nem foram muitos, já que não tenho tempo para estar sempre enfiado no cinema, dado que eu sou um elemento extremamente produtivo da sociedade, ao contrário de vocês, bando de folgados que perde o tempo a ler este blogue onde só se dizem baboseiras. E, convenhamos, não tenho o orçamento médio de um americano ou de um alemão para ir todas as semanas ao cinema.
Dito isto, eis os filmes nomeados a todas as categorias e mais algumas, que compõem os filmes que fui ver ao cinema em 2012 (por ordem cronológica e tudo):
A Invenção de Hugo
John Carter
Vingadores
Prometheus
O Fantástico Homem-Aranha
O Cavaleiro das Trevas Renasce
Desafio Total
Looper
Skyfall
Cloud Atlas
O Hobbit – Uma Viagem Inesperada

Agora que olho para a lista, confesso que parece feita por um miúdo de 12 anos… Isto é coisa que se apresente? Só bonecada e raios laser e macacadas? Pobre Hitchcock, que deve estar a dar voltas no caixão.
Ilustres convidados, and the Oscar goes to

Melhor Banda Sonora
Parece-me justo começar pela categoria que mais me diz. Antes de ir ao vencedor, permito-me falar da banda sonora de “Skyfall”. A razão é simples: causou-me estranheza vê-la nomeada aos Oscars. Trata-se de uma banda sonora de um filme do James Bond, o que geralmente não traz muito de novo, sendo da autoria de Thomas Newman, um veterano de Hollywood, mas que nunca me deslumbrou. Dei-me ao trabalho de ir ouvir a banda sonora de Skyfall, e confesso que não consigo perceber a razão da nomeação. É apenas electro-blablabla, sem um pingo de originalidade, com alguns toques de música árabe. Terá sido embalado pelo “efeito Adele”? Ou será alguma nostalgia por parte da Academia, dado que John Barry, o compositor original dos primeiros filmes de 007, morreu um ano antes?
Enfim, vamos ao vencedor, que curiosamente nem está nomeado pelo Academia: o fenomenal “Cloud Atlas”, que resulta da colaboração de três compositores – Tom Tykwer, Johnny Klimek e Reinhold Heil – aqui representado pelo fabuloso “All Boundaries Are Conventions”.

Melhor Canção
Aqui temos empate técnico. “Misty Mountains”, d’O Hobbit. Mas atenção, que é a versão cantada no filme, e não a versão oficial de Neil Finn (a qual confesso não me agrada particularmente). E “Skyfall”, cantado maravilhosamente por Adele. Qualquer uma destas canções enche-me as medidas.


Melhor Fotografia
Sir Riddley Scott nunca brinca em serviço, e “Prometheus” é um espectáculo absolutamente deslumbrante. Todos os cenários têm uma composição magnífica (mesmo que seja tudo digital), e o ambiente do filme faz-nos mergulhar numa dimensão completamente divino-galáctica. Dos interiores obscuros e claustrofóbicos, às paisagens lunares completamente estéreis, tudo em Prometheus é um espectáculo visual.

Melhor Argumento
E vão dois para “Cloud Atlas”. Adaptado do livro escrito por David Mitchell, a história de “Cloud Atlas” desenrola-se de uma forma soberba, nunca cansativa, e que nunca faz o espectador perder-se na narrativa, mesmo quando esta atravessa seis histórias diferentes, com os mesmos actores a interpretarem dúzias de personagens distintas. Muito bom.
Deixo também uma “Menção Honrosa” para “A Invenção de Hugo”, também adaptado de um livro, que é uma enternecedora homenagem às raízes do cinema, associada ao fascínio da juventude.

Melhor Actriz Secundária
Judi Dench, em “Skyfall”. É mais do que merecido, para a despedida desta extraordinária actriz que ao longo de inúmeros filmes impôs uma personagem marcante, sólida e uma referência no universo Bondesco (não confundir com bondage). Como dizia alguém, e com muita razão, “é de longe a minha Bond girl preferida”.
E já agora, para quem não sabe, Judi Dench sofre de uma doença degenerativa que aos poucos lhe está a destruir a visão, levando a que, inclusive, ela necessite que alguém lhe leia os guiões dos filmes.

Melhor Actor Secundário
Esta é a categoria mais interessante do ano. Os concorrentes são excepcionais, e o talento é tanto que merece cuidada dissertação. Poderia ser Javier Bardem, pelo extraordinário vilão que encarna o inimigo de James Bond em “Skyfall”. Podia ser Michael Fassbender, com o andróide em “Prometheus” (embora até seja a interpretação menos magnífica que dele nos chegou nos seus mais recentes trabalhos). Até podia ser Tom Hanks, por qualquer uma das suas personagens em “Cloud Atlas” (que trabalho de excepção!). Mas não fica muito longe de Hanks. O vencedor é Jim Broadbent. O nome não é sonante, mas quem viu “Cloud Atlas” não pode deixar de se render ao magnífico velhote Cavendish, e ao magistral compositor Vyvyan Ayrs. Conseguir fazer este trabalho de excelência, ao lado de vultos como Tom Hanks, Hugo Weaving, e Hugh Grant, não podia ter outro desfecho.

Melhor Actriz Principal
Angelina Jolie ou Scarlett Johanssen… Hum? Ah, é preciso terem entrado nalgum dos filmes? Ooops. É que qualquer uma delas fica tão bem em qualquer lado… Bom, mas também, verdade seja dita, muito poucos dos filmes da lista têm uma actriz num papel principal. Falta-me cá para este ano uma Natalie Portman no “Cisne Negro”! Posto isto, é quase a Rooney Mara a concorrer sozinha. Eu até gosto muito dela, mas o papel em “Prometheus” não é propriamente merecedor de qualquer prémio.
Portanto, o júri decide por unanimidade deixar esta categoria em branco. Mas, em caso de dúvida jurídica, ou tentativa de impugnar a cerimónia por via legal… Angelina Jolie!

Melhor Actor Principal
Ui… outro problema. Desta vez não é por falta de actores principais nos filmes… é mesmo por falta de qualquer coisa de jeito! Quase dá vontade de rir quando olho para a lista e vejo que a luta está quase entre o James Bond e o Homem-Aranha! PWAHAHAHAHAHAHA!
Enfim, para não deixar outra categoria em branco, mas mais ao jeito de “menção honrosa” do que propriamente de prémio, acho que aponto para Joseph Gordon-Levitt pelo bom trabalho que faz a imitar Bruce Willis em “Looper”. Apesar do “botox digital” que mais o faz parecer uma personagem retirada do Hobbit…

Melhor Realizador
E aqui está a surpresa da noite! Porque todos os Oscars têm que ter uma surpresa, e porque, independentemente da altura em que estejam a ler isto, é sempre a NOITE dos Oscars.
Já iam todos lançados a pensar que ganhavam os irmãos Wachowski e Tykwer com “Cloud Atlas”, não é verdade? Mas estão enganados! Começaram a fazer apostas em “Prometheus”, sabendo do meu fétiche por Riddley Scott? PERDERAM! Mudaram a aposta à última da hora para “O Hobbit” de Peter Jackson, já que eu sou um miúdo de 12 anos? WRONG AGAIN!
O vencedor, meus amigos, é Martin Scorcese com o seu “A Invenção de Hugo”. O filme até pode ter estado nomeado em 400 categorias aos Oscars do ano anterior, mas para mim conta aqueles que eu vejo no ano de estreia em Portugal. “A Invenção de Hugo” é dos trabalhos mais completos de Scorcese (digo eu, que até nem conheço assim tão bem o seu trabalho). É um misto de documentário histórico com fantasia. Uma sucessão de cenas lindas numa Paris com várias décadas, povoada por personagens cativantes. Tudo composto com uma beleza apaixonante.

Melhor Filme
Ok, já toda a gente percebeu: “Cloud Atlas”. Para quaisquer esclarecimentos: link

Melhor Trailer
Ha-ha! Pensavam que isto acabava com a atribuição do Melhor Filme, não é verdade? Mas os Oscars do Psy são muito melhores do que os Oscars dos velhos jarretas. Os trailers são, por si só, muitas vezes trabalhos de concepção extraordinária. Infelizmente, na avidez de atrair espectadores às salas de cinema, acabam quase sempre por estragar os filmes, dado que revelam boa parte do que deveria ser guardado para durante o filme. É o caso do vencedor, “Prometheus”, que tem indiscutivelmente um dos trailers mais fabulosos de todos os tempos, sendo ele próprio uma obra superior a 90% do que chega ao cinema, mas que acaba por revelar o filme na íntegra, estragando-o de alguma forma.



Bom, e já que estamos cheios de embalo, agora que já elegemos os Melhores, porque não eleger os Piores? Os “Razzies Psy 2013”.

Pior Filme
O Cavaleiro das Trevas Renasce

Pior Argumento
O Cavaleiro das Trevas Renasce

Pior Actor Principal
O Cavaleiro das Trevas Renasce

Pior Actor No Papel De Um Morcego
O Cavaleiro das Trevas Renasce

Pior… TUDO
O-CAVALEIRO-DAS-TREVAS-RENASCE

Nem daqui a 100 anos Christopher Nolan contará com o meu perdão. Existe um inferno especial para pessoas que fazem os fãs chorar desalmadamente por desilusões cuja dimensão ultrapassa o Monte Olimpo. Existe uma coisa chamada “gestão de expectativas”. Quando vou ver um filme do Michael Bay espero ver explosões, um argumento para miúdos de 6 anos, e actores jovens e bonitos, retirados dos desfiles de moda. Quando vou ver um filme de Nolan, para mais com o lastro de um “The Dark Knight” (2008), espero ver uma obra de referência, e não um pedaço de esterco para cumprir calendário.
E assim ficamos! Espero que 2013 seja um bom ano de cinema, e que para o ano a Academia não se esqueça mais uma vez de Hans Zimmer…

Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2013

Django Libertado



Ora bem, comecemos o ano cinematográfico com Tarantino. Há maneiras piores de começar o ano… Quentin Tarantino é o “realizador fétiche” dos americanos e de Hollywood. Como eu costumo dizer, se Tarantino colocasse uma câmara a filmar o trânsito na A5 o mundo do cinema classificá-lo-ia como uma obra ímpar e visionária. Verdade seja dita, Tarantino merece boa parte dos elogios que lhe são feitos. O homem de facto tem um talento considerável, e tem o seu estilo. Pode-se gostar mais, ou gostar menos, mas Tarantino é Tarantino.
Vamos então a “Django Libertado”. É um bom filme? Sim, sem dúvida. É uma obra-prima? Talvez seja. Justifica-se a veneração de que tem sido alvo? Aí já tenho as minhas dúvidas… Mas enfim, “não se pode dizer de Tarantino algo menos do que genial”, senão os groupies entram em combustão espontânea.
O filme desenrola-se dois anos antes da eclosão da Guerra Civil Americana, numa altura em que o esclavagismo negro se encontrava no centro do conflito social e moral. Alguns toques no argumento escrito por Tarantino são de facto brilhantes. Outros são apenas clichés à procura de mediatismo. O começo do filme é o que mais me deslumbrou. A introdução da personagem do Dr. King Shultz (Christoph Waltz) é toda ela uma sequência magnífica. Absurda, surrealista, “Tarantinesca”, mas espectacular. O caçador de prémios que vem numa carroça que tem uma mola com um dente gigante em cima, só mesmo Tarantino se iria lembrar de algo deste género. Waltz ganhou a nomeação para o Oscar de Melhor Actor Secundário, e pela meia-hora inicial do filme é mais do que justificado. Só que nas duas horas seguintes o papel resvala demasiado para uma cópia quase exacta do (muito mais brilhante) Hans Landa, em Sacanas Sem Lei.
Já em Sacanas Sem Lei o que mais me agradou foi a sequência inicial, tendo boa parte do restante filme alternado entra as longas cenas “de pastilha elástica” e os momentos de espectáculo puro. Django segue à risca o mesmo padrão.
O grande talento de Tarantino passa pela mistura de todos os géneros possíveis e imaginários, abordando SEMPRE toques culturais fabulosos (que certamente passam completamente ao lado da maioria dos espectadores). Ver uma carga de cavalaria num western ao som do Requiem de Verdi é um luxo, ao qual só se pode acrescentar todas as referências ao folclore alemão que o filme aborda. Vale a pena ler a “trivia” no IMDB só para ter noção da quantidade de referências culturais que são integradas no filme. Juntem-se a isto os momentos de comédia puramente hilariantes, como o dente gigante em cima da mola, ou o fato de valete que Django veste, alternados com sequências tão brutais que chegam a incomodar, como a luta de mandingo (que não passa de violência gratuita), e percebe-se que Tarantino é perfeito na manipulação de emoções.
Reconheço que nenhum realizador tem o talento de Tarantino para associar música e filme. A capacidade que o homem tem para escolher canções e associá-las a uma sequência de filme, essa sim é extraordinária e inigualável. Colocar um rap a meio de um western sobre escravatura? Porque não? E depois há a pontaria certeira a escolher actores. Todos aqueles que trabalham com Tarantino são fenomenais. Quer os que se repetem de filme para filme, quer os que são chamados para participar na família. Em Django até acho que o Actor Principal, Jamie Foxx, é o que menos brilha, mas ao lado de Samuel L. Jackson e Leonardo DiCaprio não se esperava outra coisa. Jackson é, como habitualmente, fenomenal a interpretar um velho cínico e abusador. Quanto a DiCaprio, sou grande fã dele há muitos anos, e acho-o um actor memorável, creio que tem um desempenho muito bom no filme, mas mesmo assim até o acho um dos menos marcantes dos últimos anos (recordar-me de Shutter Island… deuses!). Aproveito para mencionar (SPOILER) que uma das cenas mais emblemáticas da personagem ocorre quando durante uma discussão à mesa de jantar corta a mão num copo de vidro. Não estava no guião. Aconteceu mesmo. E DiCaprio continuou a cena sem parar para respirar. Tarantino, inteligentemente, deu-lhe ainda mais fôlego. Ainda no campo dos actores, há que tirar o chapéu ao curto papel de Don Johnson, que enche o ecrã enquanto está em cena.
Dispensava o “excesso absurdo de surrealismo”, como os baldes de sangue que saltam cada vez que alguém leva um tiro (por mais pequeno que seja), mas, contas feitas, é um filme muito bom, embora me pareça demasiado “mais do mesmo”, e se trocarmos os esclavagistas sulistas por nazis, temos um Sacanas Sem Lei remixed. No filme dos nazis temos duas longas cenas absolutamente brilhantes – a cena de abertura na quinta e a cena do jogo na taberna – alternadas com muita “pastilha elástica”, e neste temos as mesmas duas cenas absolutamente brilhantes – a cena de abertura com a carroça do dente e a cena do jantar em casa de Calvin Candie – alternadas com muita “pastilha elástica”. Mas, fosse metade do cinema desta qualidade, e eu nunca sairia da sala de cinema com ar de frete. Não obstante, vê-lo nomeado aos Oscars para “Melhor Filme” acaba por me deixar com aquele sorriso cínico que há muitos anos tenho em relação às escolhas feitas pela Academia…

Pelo Melhor:
O dente em cima da mola gingona, que de tão surreal deixa os espectadores a rir descontroladamente, e totalmente desarmados. A fusão de géneros cinematográficos completamente incompatíveis, que Tarantino consegue transformar numa “coisa Tarantinesca que no fim resulta muito bem”. A imensidão de referências subtis a inúmeros pormenores deliciosos. Tarantino é um ávido consumidor de literatura, música e cinema clássico, e deixa-o transparecer na perfeição.

Pelo Pior:
A sensação “mais do mesmo”. Os “exageros exagerados”. Ok, quando vamos para um filme de Tarantino já esperamos que haja exagero, mas existe um ponto em que “too much is too much”.


Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2013

Brainsss



Para diversificar os temas abordados aqui no blogue vou começar 2013 a falar daqueles simpáticos jogos que “explodiram” no ano passado graças aos novos telemóveis e tablets.
Muitos destes jogos (que presumo também se incluam na categoria “apps”) são disponibilizados gratuitamente a quem tenha conta no Google, ou tenha produtos da Apple.
Quem me conhece (gente afortunada…) sabe que nunca tive muito o bichinho dos jogos de computador. Mesmo os jogos mais “avançados” (Skyrim ou Diablo 3) não me seduzem muito. Por outro lado, estes jogos completamente básicos são altamente viciantes. Angry Birds, Plants vs Zombies, e coisas do género.
Por agora, entretenho-me a falar do “Brainsss”. Fã de zombies como sou, decidi experimentar este. É entretenimento puro, e garantido! Numa abordagem muito cartoonesca, o jogador tem por missão andar a passear um grupo de zombies por cenários diferentes, tendo por objectivo “converter” todos os humanos que lhe aparecem pelo caminho. Acho lindo ver um amontoado de cartoons, de braços esticados, a correr pelo mapa fora para zombificar as pessoazinhas aterrorizadas. Espero que isto não faça de mim um psicopata…
Apesar de inicialmente o jogo parecer um bocadinho aborrecido e repetitivo, com o passar dos níveis começa a tornar-se mais estimulante, com variações nas missões, e adversários com “poderes especiais” que obrigam a pensar um bocadinho (notem a ironia, num jogo de zombies) na estratégia a adoptar. Pelo meio, há o “rage counter” que torna o jogo ainda mais cómico. Basicamente, à medida que o nosso grupo de zombies vai convertendo humanos, e derrubando os vários objectos que lhe aparece pela frente, vai aumentando o “contador de fúria”, que quando fica cheia permite activar o “rage mode”, tornando o ecrã todo vermelho, e pondo os zombies a fazer sprints pelo ecrã fora, atrás das vítimas.
Simples, atraente, divertido, e despretensioso. Uma boa forma de descontrair um bocadinho.
Página oficial: http://www.brainsss.com/